Secretariado Diocesano da Pastoral Liturgica de Viseu - Portugal
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4º DOMINGO DA QUARESMA (ANO A)

“Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração”. Foi isto que Deus disse a Samuel, quando este tinha de ungir, de entre todos os filhos de Jessé, o futuro rei. Nenhum dos primeiros filhos de Jessé foi ungido por Samuel; o menor de todos, que andava a guardar o rebanho, David, foi o escolhido.
Esta frase introduz-nos na reflexão deste domingo: ver com os olhos ou ver com o coração…ou seja, quem é cego? Quem vê, segundo Jesus, que é a luz do mundo? O evangelho apresenta-nos um cego de nascença, um homem que, segundo a cultura do seu tempo, tinha esta deficiência por causa dos seus pecados ou dos pecados dos seus pais. É bela a resposta de Jesus, quando lhe perguntam quem pecou, para que este homem nascesse cego: Jesus diz que isto sucedeu para se “manifestarem nele as obras de Deus”. Tantas vezes procuramos os culpados das situações difíceis e sofredoras da nossa vida, ou dos nossos familiares e amigos. Hoje, Jesus convida-nos a, em vez de procurar os culpados, sermos capazes de ver a oportunidade que representa aquela dificuldade para demonstrar a força transformadora do amor. O cego recupera a vista, quando vai lavar-se à piscina de Siloé que, segundo o evangelho que acabámos de escutar, significa “Enviado”. Assim, concluímos que a luz da fé irá iluminando o nosso caminho, quando nos sentirmos enviados pelo Senhor e tivermos sempre o desejo de cumprir a vontade de Deus. O cego recupera a vista e isto gera alguma confusão. Esta cura é interpretada como uma ofensa a Deus pelo facto de ter sido feita ao sábado (dia de descanso). Gera-se uma tensão entre os fariseus e aqueles que afirmavam que esta cura era um sinal de Deus. Por isso Jesus afirma: “Eu vim para exercer um juízo: os que não vêem ficarão a ver; os que vêem ficarão cegos”.
Jesus curou o cego, para quê? Para nos dizer que a fé é a luz que ilumina a nossa vida. Se não temos fé, se não o reconhecemos como Messias, ainda que vejamos a realidade da vida, estaremos cegos e não podemos ver nem viver, iluminados pela verdadeira luz. Sem a descoberta do outro, como razão de viver, sem a capacidade de partilha ou de solidariedade, o mundo não pode ver a Luz. São Paulo também insiste neste aspecto na sua carta aos Efésios, afirmando: Irmãos, outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz”.
Ver é viver em Deus, é praticar os valores do Evangelho e deixar que Deus ilumine a nossa vida. Ser cego é esquecer Deus, voltar as costas a Deus, praticar as obras das trevas, do pecado, que são inúteis. Depois de se encontrar com Jesus, o cego de nascença viu, não só porque Jesus lhe recuperou a vista, mas porque acreditou Nele e O adorou: “Tu acreditas no Filho do Homem?”. “Senhor, quem é Ele, para que eu acredite?”. “Já O viste: é Quem está a falar contigo”. “O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: “Eu creio, Senhor”. Todavia, os fariseus e os outros judeus, apesar de verem com os olhos, continuaram cegos à luz de Deus. Viram e não acreditaram! Assim Jesus responde à primeira pergunta que lhe colocaram aqueles que entendiam que a cegueira era fruto do pecado; afirma que no cego de nascença não há pecado, mas na cegueira dos fariseus há pecado.
Neste tempo da Quaresma, sejamos capazes de abrir os olhos do coração para reconhecer, nesta Páscoa que se aproxima, o verdadeiro Messias. A sua vitória jorrará luz para o caminho da nossa vida. A luz de Cristo brilha no respeito pela dignidade da pessoa humana, na justiça e no amor às pessoas. A partir da Luz de Cristo, todos podem ser felizes.