Secretariado Diocesano da Pastoral Liturgica de Viseu - Portugal
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ASCENSÃO DO SENHOR (ANO A)


Depois da ressurreição, Jesus sobe ao Céu. Era necessário que regressasse donde veio. Era necessário fechar o ciclo que tinha começado no dia do seu nascimento. Deus assumiu a condição humana e, com a sua encarnação, tinha tornado sagrada a realidade humana. Era necessário que regressasse ao céu, porque já tinha realizado a obra da salvação. Só faltava que a humanidade se deixasse conduzir pelo Espírito Santo, o Espírito de Jesus. Assim, quando viesse este Espírito iniciar-se-ia este ciclo salvador na Igreja nascente e em cada cristão. Porque também somos convidados a ser “elevados” ao céu, permanecendo sempre com Jesus, porque Nele “vivemos, nos movemos e existimos”. A ascensão é a expressão da vontade de Jesus: vencendo a morte, mostra-nos um novo estilo de vida: viver perto de Deus Pai.
Quando as mulheres foram ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus, o anjo disse-lhes que Ele não estava ali, tinha ressuscitado e que caminhava diante deles para a Galileia. Porquê a Galileia? Porque os discípulos tinham feito um longo caminho com Ele a partir Galileia. Momentos inesquecíveis! Como esquecer as pregações, os milagres, as conversas a sós com Jesus, tantas emoções e também tantas incompreensões? Um caminho de vida fantástico que foi interrompido dramaticamente com aquela morte na cruz. Agora, a nova experiência com o Ressuscitado parecia deitar por terra qualquer dúvida e desilusão. Mas tal não aconteceu.
Diz-nos o evangelho: “quando O viram, adoraram-no; mas alguns duvidaram”. Isto também acontece connosco. Perante Cristo Ressuscitado, vencedor da morte e do pecado, o homem e a mulher não pode tomar outra atitude a não ser reconhecer a grandeza de Deus, ajoelhar-se, adorar o Senhor. Mas, de vez em quando, devido à nossa fragilidade, também duvidamos. Tantos anos de vida cristã, tantas missas, tantas reuniões, tantas sessões de catequese… e, por vezes, duvidamos! São Paulo diz-nos na segunda leitura: Deus “ressuscitou Cristo de entre os mortos e colocou à sua direita nos Céus”. É isto que celebramos neste domingo. É isto que professamos no Credo: “subiu ao céu, onde está sentado à direita do Pai”. O Jesus da cruz é o Jesus da glória, vivo com o Pai.
Antes de regressar donde veio, Jesus disse: “Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei”. A missão de Jesus é, agora, a missão da Igreja: ir, baptizar e ensinar. Não esperar que venham ter connosco, mas ir ao encontro das pessoas e levar-lhe o conforto da Boa Nova do Evangelho. Esta é a missão. O cristão não é um passivo e acomodado, mas é sempre um enviado, não só a sentir a alegria do Evangelho, mas a fazer sentir esta mesma alegria aos outros. Para ser discípulo de Jesus, é preciso mudar de vida, é manifestar que Jesus é o nosso Mestre. Ser discípulo não é a mesma que ser aluno, é viver à maneira e ao jeito de Jesus Cristo e nunca perdê-lo de vista.
Jesus é a Cabeça do Corpo que é a Igreja, da qual pertencemos. Ele prometeu-nos o Espírito Santo, a força que irradia de Jesus para cada um de nós, os membros do seu corpo. Este Espírito de sabedoria e de luz faz-nos conhecer o Senhor cada vez melhor, ilumina a nossa vida, dá-nos confiança e esperança na certeza que Ele nunca nos abandona. O texto evangélico deste domingo termina com uma promessa: “Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. Com esta promessa, poderemos viver com serenidade a nossa vida, apesar de todas as nossas dificuldades, fragilidades e dúvidas. Em cada domingo, a Eucaristia é sempre um momento forte desta presença de Cristo ressuscitado. Ele conforta-nos, Ele envia-nos a sermos missionários desta promessa, envia-nos a pregar a alegria do Evangelho.