2º DOMINGO DO ADVENTO (ANO A)

  1. Estamos a fazer a caminhada do Advento; a segunda vela da coroa é expressão desta atitude. O relato evangélico deste domingo e do próximo falam-nos de João Baptista. Hoje, temos um resumo da sua mensagem e no próximo domingo teremos um elogio à sua figura, proferido por Jesus. O ambiente em que vivemos está já muito marcado pela proximidade do Natal. É necessário ajudar a reencontrar o sentido do Advento como celebração da esperança cristã, jubilosa e exigente.
  2. O centro da mensagem evangélica deste domingo é este: Deus vem para dar vida à nossa humanidade. “Está perto o reino dos céus” (ev.). Perante esta notícia, o passado domingo salientava alguns aspectos a ter em conta: o desejo da salvação, a vigilância e a esperança. Hoje, escutamos outro aspecto: abri o caminho (o resumo da mensagem de João Baptista). A expressão é de Isaías (40,3) que assim se referia à chegada solene de um rei salvador. Aqui o rei é Jesus e a sua chegada teve outro sentido. A expressão “endireitem-se os caminhos tortuosos” quer dizer “abri o coração”. Significa ter um coração limpo, uma atitude disposta a acolher e a aceitar a mensagem de Deus, coração humilde, “convertido” a Ele, à sua Palavra e ao seu Espírito. Era uma Palavra de amor, de perdão, de reconhecimento do próprio pecado, de confiança em Deus e não na força e na violência humana. Há que abrir o coração à sua luz para entender o bem para o qual nos chama. Isto deverá acontecer nas nossas opções pessoais, no relacionamento com a família e com os outros, na hora de decidir sobre o dinheiro ou estilo de vida. Mas também no diálogo entre povos e culturas, em tratados internacionais, perante os conflitos ou a dor do Terceiro Mundo. Quantas guerras teriam sido evitadas se tivéssemos o coração aberto à verdade do amor, do perdão e do diálogo. Quantos conflitos e divisões teriam sido evitados na nossa comunidade se, em vez de condenações e sofrimentos, tivéssemos um coração aberto à Palavra e ao Espírito de Jesus.
  3. O anúncio de Isaías concretizou-se plenamente em Jesus Cristo. A plenitude do Espírito apareceu nas palavras de Jesus, na sua morte e ressurreição. É o Espírito da humildade, do perdão, da justiça, paz e amor. “Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo” (Ev.). Deus Pai derrama o Espírito sobre o seu Filho, fazendo-o primogénito de tudo. O dom de Deus tem uma perspectiva universal. Ele baptiza com o fogo do seu Espírito todos os homens e mulheres do mundo: onde eles vivem a sabedoria do amor, do perdão, da pobreza, da confiança de Deus, ali está o Espírito de Deus conduzindo a humanidade à participação do Filho. Assim, a Igreja tem de ser seu sinal, sacramento e caminho.
  4. “Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo” (1ª leitura). “Tem a pá na sua mão: há-de limpar a eira… (ev.). São palavras de juízo e de condenação um pouco incómodas. Poder-se-á querer comparar Jesus e João Baptista, ou seja, analisar a diferença entre a dura condenação de João Baptista e o perdão e a misericórdia de Jesus. Mas depois aparecem expressões duríssimas de Jesus contra aqueles que O rejeitam: “aqui está quem é maior que Jonas… aqui está quem é maior que Salomão” (Mt12, 38-42). Quem entende Jesus de uma maneira “branda”, nunca o chegou a entender. Ele anuncia o único caminho da vida: o do amor, paz, perdão, pobreza, reconhecimento do próprio pecado. Quem rejeita este caminho, está perdido. Ele é o “juiz dos vivos e dos mortos”. Perante as circunstâncias actuais da nossa vida, pela forma de resolver os conflitos e de enfrentar as questões tão graves como o terceiro mundo e a corrupção, Deus deu a conhecer em Jesus o verdadeiro caminho. Fechar o coração e optar pelo egoísmo, vingança, riqueza ou violência é escolher a perdição. Portanto, as palavras de salvação e de condenação são dois aspectos de uma única mensagem: Jesus na cruz é, ao mesmo tempo, salvador e juiz.
  5. “O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito…” (1ª leitura). Estas palavras não são pura utopia poética. A comunhão entre inimigos é o grande desafio. Tornou-se realidade plena em Jesus e em tantos participantes do seu Espírito; esperamos que terá plena realização quando vier com todo o seu esplendor. “O Senhor vem”. A esperança é a conversão do coração, fidelidade exigente, confiança firme.