27º DOMINGO COMUM (ANO C)


Para manter viva a chama da esperança e da confiança na nossa vida, é necessário colocar o nosso olhar na Palavra de Deus. As leituras deste domingo fazem referência a três aspectos muito importantes na nossa vida: a oração, a coragem e a fé.
Na primeira leitura, o Profeta Habacuc reza ao Senhor (a oração). Pediu a Deus ajuda e não teve resposta. Vive num clima de violência e Deus não o acode. À sua volta, reinam as divisões e a discórdia. Este ambiente gera em Habacuc uma grande tristeza. E Deus continua calado! Parecem os tempos que correm nos dias de hoje! Deus responde, mas não quando o homem quer. Deus escuta sempre. Esta é a nossa segurança e fonte de ânimo. Mas responde sempre segundo a sua vontade. Deus conhece melhor o tempo oportuno para responder. Assim, qual a nossa atitude? É saber esperar na confiança de que somos sempre ouvidos. Quem pretender romper esta dinâmica transforma-se numa pessoa arrogante, orgulhosa e desapontada. Pretende mudar ou ignorar os tempos de Deus. Assim, como diz o texto, converte-se numa pessoa insegura. Quem confia nos tempos de Deus agirá sempre com rectidão. O texto diz que será sempre justo. É numa atitude de confiança e de fé que se encontra a voz de Deus e também se descobre a parte de responsabilidade que lhe corresponde no pedido que fez. É nesta dinâmica que Deus muda a realidade da nossa vida.
Animados pela certeza de que Deus escuta sempre a nossa prece, somos convidados a dar testemunho (a coragem). A força do Espírito que Deus concedeu a Timóteo, e também a todos os cristãos, não é de timidez nem de cobardia. Esta força interior não é fruto dos nossos esforços e das nossas capacidades. Pertence à nossa identidade cristã. Foi algo que recebemos de graça. A partir da força divina, construiremos um autêntico testemunho. Por vezes, confunde-se a firmeza (fortaleza) com a hostilidade, realizando acções contrárias ao Evangelho. A firmeza, unida ao amor, manifesta-se em não nos envergonharmos da vida de Jesus, nem daqueles que trabalham no anúncio do Evangelho. São Paulo diz a Timóteo que irão aparecer dificuldades e sofrimentos na vida de quem se compromete com Jesus e a sua mensagem. Mas a fortaleza de Deus é a melhor defesa, segurança e fonte de entusiasmo perante as adversidades.
O Senhor escuta a nossa prece, o Senhor dá-nos força e coragem. Como corresponder? Através da nossa fé. A nossa fé só tem valor, quando acompanhada com obras. “Fé sem obras está morta”. Somente de uma fé genuína brotam obras edificantes. Todas as três leituras abordam o tema da fé. A primeira, no final do texto, quando afirma que o justo, o que espera pela resposta de Deus, viverá pela sua fidelidade, ou seja, porque acreditou. São Paulo pede a Timóteo que viva na fé e no amor de Jesus Cristo para guardar a boa doutrina que recebeu dele com o auxílio do Espírito Santo. E no evangelho são os próprios discípulos que pedem a Jesus que lhes aumente a fé. A fé faz-nos iguais diante de Deus. Ninguém tem mais dignidade pelos títulos ou pelas responsabilidades que tem. A dignidade do cristão mede-se pela fé.
Que a oração, a coragem e a fé ajudem cada um de nós a ser como Jesus: fiel a Deus, servo do próximo, construtor do Reino de Deus, dando testemunho da nossa condição de discípulos de Jesus.